Lucro líquido da Minerva Foods caiu 57% no 2º trimestre, para R$ 197 milhões

Queda foi influenciada pelo resultado financeiro, pressionado pela variação cambial; Ebitda recuou 5,5%, e receita líquida superou R$ 14 bilhões
Fernando Lopes

A Minerva Foods, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, encerrou o segundo trimestre do ano com lucro líquido de R$ 196,9 milhões, em queda de 57% ante igual intervalo de 2025. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da companhia caiu 5,5%, para R$ 1,231 bilhão, e sua receita líquida cresceu 1,3%, para R$ 14,102 bilhões.

“Diante de um ambiente volátil como o atual, foi um trimestre muito bom”, afirmou Edison Ticle, CFO da Minerva, em conversa com jornalistas. Além de fatores macroeconômicos adversos, o executivo lembrou que é tempo de queda de margens em razão da alta dos preços do gado nos mercados em que a empresa atua. Ticle explicou que a queda do lucro foi influenciada pela retração do Ebitda e pela piora do resultado financeiro, bastante pressionado pela variação cambial, sem efeito caixa.

De qualquer forma, a Minerva continua bem posicionada para aproveitar oportunidades que certamente surgirão nos próximos meses, em virtude do esgotamento da cota definida pela China para as exportações de carne bovina do Brasil em 2026 e da barreira temporária que deverá ser erguida pela União Europeia a partir de setembro para a carne brasileira em decorrência de divergências sobre o uso de antimicrobianos. Com sua diversificação geográfica, a empresa poderá compensar a provável redução dos embarques a partir do Brasil com o incremento das vendas externas em Argentina, Paraguai e Uruguai.

Por condições mercadológicas, aliás, a arbitragem que fortalece a competitividade da Minerva privilegiou as exportações a partir do Brasil no segundo trimestre, quando parte da demanda da companhia no mercado brasileiro foi suprida com carne produzida pela companhia nos vizinhos sul-americanos. No Brasil, a receita bruta da empresa cresceu 4,5% na comparação anual, para R$ 8,597 bilhões, ao passo que no Paraguai a alta foi de 12,6%, para R$ 1,759 bilhão, no Uruguai alcançou 4,3%, para R$ 1,636 bilhão, e na Argentina atingiu 11,8%, para R$ 1,213 bilhão.

De acordo com Fernando Galletti de Queiroz, CEO da Minerva, o mercado interno brasileiro tem se mostrado resiliente e a demanda está relativamente estável, o que torna o país uma alternativa rentável para as vendas diante das mudanças no tabuleiro das exportações. Outra opção é a ampliação das exportações para os Estados Unidos, onde a oferta de gado continua baixa e as importações, particularmente aquecidas. No segundo trimestre, as exportações representaram 56,6% da receita bruta, que totalizou R$ 15,068 bilhões, e os mercados domésticos onde a empresa atua responderam por 43,4%. 

Mas o fato é que a América do Sul, mesmo com uma oferta de gado um pouco menor, continua com a faca e o queijo na mão para abastecer o mercado externo, com os EUA retraídos e a Austrália já registrando maior redução de volumes e alta de preços. No total, a Minerva abateu 1,434 milhão de cabeças de gado entre abril e junho deste ano, com leve queda de 3,8% ante o mesmo período de 2025. Na Austrália e no Chile, a companhia também abateu 754 mil cabeças de ovinos.

Ticle realçou que a empresa optou por uma estratégia que resultou em investimentos de R$ 1,1 bilhão em capital de giro e privilegiou a ampliação dos estoques em destinos como China e EUA no primeiro semestre, e que, com isso, está bem posicionada para o que está por vir. Houve um aumento de R$ 609,7 milhões de contas a receber, reflexo do maior volume de vendas para clientes na Ásia, que demandam maior prazo de pagamento, e em parte por causa disso o fluxo de caixa proveniente das atividades operacionais foi negativo em R$ 54,6 milhões no segundo trimestre.

Ainda segundo a Minerva, sua alavancagem líquida (relação entre dívida líquida e Ebitda) encerrou junho em 2,9 vezes. Ao término do segundo trimestre, a companhia contava com R$ 14,9 bilhões em caixa e equivalentes de caixa, nível suficiente para atender ao cronograma de amortização da dívida até 2029. Em 30 de junho, cerca de 70% da dívida bruta estava atrelada ao dólar americano, e a companhia continua a manter protegida no mínimo 50% de sua exposição cambial de longo prazo. A empresa lembrou, finalmente, que concluiu no trimestre a emissão das Notas 2036, no montante de US$ 600 milhões com cupom de 7,50% ao ano e vencimento para 2036. Os recursos líquidos têm como foco o alongamento do perfil da dívida.

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