Lucro líquido da Kepler Weber caiu 56,3% no 2º trimestre, para R$ 6,3 milhões

Ebitda da companhia recuou 31,7% ante o mesmo período de 2025, para 25,9 milhões, e receita líquida diminuiu 3,9%, para R$ 299,1 milhões
Fernando Lopes

A Kepler Weber, líder em armazenagem e soluções para pós-colheita na América Latina, encerrou o segundo trimestre do ano com lucro líquido de R$ 6,3 milhões, em queda de 56,3% em relação a igual intervalo de 2025. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da empresa caiu 31,7%, para R$ 25,9 milhões, e sua receita líquida recuou 3,9%, para R$ 299,1 milhões.

Tendo em vista o difícil cenário que afeta os mercados em que a companhia atua, com juros elevados, crédito restrito, inadimplência em alta e número elevado de pedidos de recuperação judicial por parte de produtores e empresas ligadas ao agro, a direção da Kepler Weber considerou os resultados positivos “É um inverno um pouco mais longo do que a gente gostaria”, resumiu Bernardo Nogueira, CEO da Kepler Weber, em conversa com jornalistas.

Nesse contexto, afirmou o executivo, a empresa mantém uma postura que combina confiança e cautela. A confiança vem sobretudo do crônico déficit de armazenagem no agro brasileiro, que mantém positivas as perspectivas de longo prazo para os negócios. enquanto a cautela evita que, neste momento, recebíveis sejam alongados além do estritamente necessário e que a inadimplência, que segue em níveis historicamente baixos, saia do controle.

Outro trunfo da Kepler Weber continua a ser a diversificação de portfólio, que permite à companhia aproveitar oportunidades em segmentos específicos mesmo em tempos bicudos. E boas oportunidades não faltam hoje na área de biocombustíveis, envolvendo produção de biodiesel e, principalmente, etanol de milho. É graças a projetos nessa frente que a divisão “Agroindústrias” da empresa registrou alta de 17,9% da receita líquida no segundo trimestre, para R$ 126,5 milhões, e foi vital para manter o trem nos trilhos.

De acordo com Nogueira, os biocombustíveis, produzidos a partir de grãos como soja, milho e sorgo – e que demandam armazenagem – vêm sendo responsáveis pela maior parte da receita da divisão. Com isso, ajudam a compensar a queda de receita na divisão “Fazendas”, que entre abril e junho foi de 13,2%, para R$ 83,1 milhões. Aqui, os principais contratos têm sido fechados com grandes produtores rurais de Estados como Mato Grosso, Goiás e Bahia.

Na divisão “Negócios Internacionais”, em que a Argentina é o grande destaque, o ritmo de negócios também arrefeceu e a receita líquida diminuiu 46,3% no segundo trimestre. Em “Portos e Terminais”, onde o número de projetos é naturalmente menor, o mar também está mais calmo que o desejado, e a receita recuou 50,1%, para R$ 7,3 milhões. Em contrapartida, na área de “Reposição e Serviços” a receita continua em alta e chegou a R$ 65,6 milhões entre abril e junho, 5% mais que no mesmo período de 2025.

Nessa comparação trimestral, o capex da Kepler Weber registrou queda de 43%, para R$ 11,8 milhões, o que não deixa de ser um fator importante para o equilíbrio das contas. E um ponto positivo de destaque é a geração de caixa líquido, que ficou em R$ 29,3 milhões no segundo trimestre e gerou um saldo bruto de disponibilidades de R$ 354,2 milhões, quase 12% maior que em dezembro passado.

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