Moagem de cana deverá crescer 3% no Centro-Sul na próxima safra, diz Datagro

Segundo o cenário inicial traçado pela consultoria, volume em 2026/27 chegará a 625,5 milhões de toneladas
Fernando Lopes
(Crédito: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar)

O processamento de cana deverá somar 625,5 milhões de toneladas no Centro-Sul do país na safra 2026/27, que terá início em abril do ano que vem, segundo estimativa divulgada esta semana pela Datagro. Se confirmado, o volume será 3% maior que as 607,3 milhões de toneladas calculadas pela consultoria para o ciclo atual (2025/26). Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em 2025/26 a moagem na região deverá atingir 602,9 milhões de toneladas.

“A safra 2025/26 tem sido marcada pela heterogeneidade, mas a produtividade média segue alinhada com nossa previsão”, afirmou o presidente da Datagro, Plinio Nastari, durante a 25ª Conferência Internacional sobre Açúcar e Etanol, promovida pela empresa. Do início de abril deste ano até a primeira quinzena de outubro, o processamento alcançou 490,9 milhões de toneladas. Conforme a Datagro, na temporada atual 75% das usinas do Centro-Sul deverão encerrar suas operações de moagem na segunda quinzena de novembro.

No cenário inicial traçado para 2026/27, a Datagro projeta que a produção de açúcares totais recuperáveis (ATR) chegará a 139,5 quilos por toneladas, acima dos 137,4 quilos por toneladas esperados para 2025/26. E o mix da moagem tende a ser novamente mais voltado ao açúcar (52%), como na safra em curso (52,1%). Nesse sentido, a produção de açúcar deverá totalizar 43,2 milhões de toneladas, com incremento de 4,3%.

De acordo com Nastari, o primeiro terço da safra 2026/27 no Centro-Sul também deverá ser marcada pela “baixa expectativa de cana bisada, melhor estande, chuvas atrasadas e alguns sintomas de seca”. Para o segundo terço, a Datagro projeta relativa normalidade, enquanto o terço final dependerá do clima, particularmente das chuvas de abril. 

Ao mesmo tempo em que destacou fatores positivos para o segmento como o reconhecimento do etanol como combustível da descarbonização e o crescimento de até 1% ao ano do consumo global de açúcar, Nastari lembrou, no evento, que o plantio de cana exige muito capital, um problema em tempos de juros elevados, e que o custo da terra também continua a subir, o que limita movimentos de expansão da produção. 

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