Por que o USDA espera que o consumo de carne caia no Brasil em 2025

Menor disponibilidade de gado, demanda externa em alta e expectativa de aumento de preços ao consumidor devem reduzir oferta doméstica
Fernando Lopes
(Crédito: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar)

O brasileiro vai comer menos carne bovina em 2025. Pelo menos é o que espera o escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no Brasil.

Relatório da entidade aponta uma disponibilidade de 8,07 milhões de toneladas de carne para consumo doméstico neste ano. Se confirmado, o volume representará uma queda de 2% em relação a 2024.

Três fatores são apontados para a projeção de queda. O primeiro está relacionado a uma expectativa de menor disponibilidade de animais para abate em 2025. O USDA prevê uma safra de bezerros de 47,2 milhões de cabeças neste ano, 1% a menos do que em 2024.

Depois do recorde de abate no ano passado, o rebanho nacional deve encerrar o ano com 186,9 milhões de cabeças, ou seja, 3% menor do que no ano passado.

“Desde 2023, o Brasil está no fundo do ciclo do gado, que deve começar uma reversão em 2025, com os produtores não mais liquidando os estoques anteriormente mantidos”, diz o relatório do USDA.

O segundo fator é externo. A demanda pela carne brasileira tende a se manter aquecida e garantir o Brasil ainda como o maior exportador do mundo. O USDA espera embarques de 3,88 milhões de toneladas, quase 7% maior do que o recorde do ano passado, de 3,63 milhões de toneladas.

Menos oferta doméstica e maior demanda externa. O resultado da equação é menor disponibilidade interna e preços em alta. Os últimos dados de inflação do IBGE já registram uma alta acumulada em 12 meses superior a 20% para cortes como filé mignon (22,46%), contrafilé (20,61%), alcatra (20,49%), até peito (21,98%), lagarto (23,21%) e acém (25,98%).

“A inflação nos preços de varejo domésticos para carne bovina aumentou no acumulado dos últimos 12 meses, de acordo com dados oficiais do IBGE. Para 2025, espera-se que os preços sejam maiores do que os experimentados em 2024, pois a mudança do ciclo do gado impacta a produção”, diz o relatório do USDA.

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