Produção de cana voltará a cair no país nesta safra 2025/26, prevê Conab

Estatal estima volume total de 663,4 milhões de toneladas, 2% menor que em 2024/25
Fernando Lopes
(Crédito: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar)

A produção brasileira de cana-de-açúcar deverá alcançar 663,4 milhões de toneladas nesta safra 2025/26, segundo as primeiras estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a temporada, divulgadas nesta terça-feira. Se confirmado, o volume será 2% inferior ao registrado em 2024/25 (677 milhões de toneladas), que já foi 5,1% menor que em 2023/24. A área de colheita tende a crescer 0,3%, para 8,8 milhões de hectares, mas a produtividade média cairá 2,3%, para 75.451 quilos por hectare, conforme a estatal.

A sequência de quedas decorre dos problemas climáticos que prejudicaram canaviais do Centro-Sul, sobretudo em São Paulo, nos últimos anos. No Estado que lidera a produção de cana no país, o forte calor, a escassez de chuvas e incêndios voltaram a afetar o desenvolvimento das lavouras no ano passado. Com isso, a colheita paulista está calculada pela Conab em 332,9 milhões de toneladas, com queda de 5,8% ante o ciclo anterior.

No Centro-Sul como um todo, a Conab projeta a produção em 602,9 milhões de toneladas, uma redução de 2,5% em relação a 2024/25. Nas regiões Norte e Nordeste, em contrapartida, o volume deverá aumentar 3,6%, para 60,5 milhões de toneladas. No Centro-Sul, a nova safra começou neste mês de abril, enquanto no Nordeste os trabalhos de colheita terá início em agosto.

Apesar de prever retração da produção de cana no Brasil, a Conab acredita que a fabricação de açúcar baterá um novo recorde histórico em 2025/26. O volume deverá chegar a 45,9 milhões de toneladas, 4% mais que em 2024/25, embalado pelos preços ainda atraentes da commodity nos mercados doméstico e internacional – o país encabeça as exportações globais. Já a produção nacional de etanol de cana deverá recuar 4,2%, para 28,1 bilhões de litros.

Mas a oferta do biocombustível não deverá diminuir de forma expressiva, graças ao crescimento do uso do milho como matéria-prima. De acordo com a Conab, a produção de etanol feito com o cereal registrará incremento de 11%, para 8,7 bilhões de litros. Assim, a produção total de etanol (hidratado e anidro) deverá somar 36,8 bilhões de litros, 1% menos que na temporada passada.    

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