Produtos menos concentrados garantem recorde na importação de fertilizantes

De janeiro a novembro, foram mais de 41 milhões de toneladas; marca de 2024 está a um passo de ser superada
Fernando Lopes

As importações brasileiras de fertilizantes confirmaram as expectativas e estão a um passo de alcançarem um novo recorde em 2025, em boa medida embalado pelo aumento das compras de produtos menos concentrados – e, por conseguinte, com custos menores. Em novembro o fluxo de entrada dos insumos arrefeceu, como é normal nesta época do ano, mas nos primeiros onze meses do ano o volume movimentado já foi o maior da história para o período.

Nas contas da StoneX, empresa global de serviços financeiros, em novembro as importações dos principais fertilizantes usados no campo do país (amônia, ureia, SAM, NAM, DAP, MAP, SSP, TSP, NP, enxofre e KCl) somaram 3,3 milhões de toneladas, já bem abaixo dos patamares observados entre agosto (5 milhões) e outubro (4,5 milhões), por exemplo, intervalo em que as entregas aos agricultores são sazonalmente mais fortes, em razão do plantio da safra de grãos de verão.

Mesmo assim, lembra o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, de janeiro a novembro as importações atingiram 41,1 milhões de toneladas, cerca de 900 mil a mais que em igual intervalo de 2024. Ele observa, porém, que houve uma mudança no perfil das aquisições entre os dois períodos, motivada pela busca de alternativas mais econômicas para reduzir os custos de produção agrícola. 

Com preços mais elevados e oferta limitada de produtos como ureia e MAP (fosfato monoanômico), os importadores ampliaram as compras de produtos menos concentrados, como SAM (sulfato de amônio) e SSP (super fosfato simples). Entre janeiro e novembro deste ano, as importações de ureia somaram 6,6 milhões de toneladas, 12% menos que no mesmo período de 2024, enquanto as de SAM cresceram 31%.

Desde agosto, é verdade, as cotações da ureia começaram a recuar no mercado internacional, justamente por causa do enfraquecimento da demanda nos meses anteriores, e essa recuperação da atratividade do insumo já começou a ter reflexo nas importações brasileiras.

“Apesar disso, ainda há incertezas quanto à principal escolha dos compradores brasileiros em 2026. Há um volume significativo de SAM programado para desembarcar nos portos do país, o que deve manter a oferta abundante no curto prazo. Além disso, a trajetória dos preços da ureia e do SAM nos próximos meses será determinante para as decisões de compra”, destacou a StoneX, em relatório sobre o segmento.

O cenário traçado por Pernías é corroborado pelos dados compilados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). De acordo com a estatal, as importações do Brasil, que abastecem mais de 80% da demanda dos agricultores, caíram para 3,4 milhões de toneladas em novembro, ante 4,6 milhões em outubro e 4,2 milhões em novembro de 2024. Nos primeiros 11 meses de 2025, contudo, o volume, que inclui um número maior de insumos que o considerado pela StoneX, chegou a 41,7 milhões de toneladas, com alta de 2,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

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