Queda de qualidade derruba preços da laranja neste fim da safra 2024/25

Após as máximas do ano passado, cotações do suco também recuaram no mercado internacional
Fernando Lopes

A queda da qualidade da laranja para produção de suco derrubou os preços da fruta nas últimas semanas no cinturão que se espalha por São Paulo e Minas Gerais, onde a colheita do ciclo 2024/25 já foi praticamente concluída. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), a caixa de 40,8 quilos tem sido negociada nos últimos dias a R$ 60, em queda de quase 20% desde o início de março. Em outubro de 2024, o valor chegou a se aproximar de R$ 93, em virtude do encolhimento da oferta.

Em relatório divulgado esta semana, a Consultoria Agro do ItaúBBA realçou que o tombo dos preços decorre do fato de as laranjas disponíveis no cinturão brasileiro estarem com baixa relação entre o grau Brix e a acidez da fruta – ou seja, o teor de açúcar está pequeno, o que torna o suco menos doce e mais ácido, levando muitos consumidores a buscarem outras alternativas. O problema também tem motivado a queda das cotações do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) na bolsa de Nova York, que superou 20% nas últimas quatro semanas.

E isso mesmo com a forte retração da oferta de suco produzido no Brasil, que responde por cerca de 75% das exportações globais da bebida e cujos estoques estão em níveis historicamente baixos. Essa retração, por sua vez, deriva de cinco safras consecutivas de colheita abaixo do potencial em São Paulo e Minas. O Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) estima a produção em 2024/25 em menos de 230 milhões de caixas, ante as 307,2 milhões de 2023/24. Indústria e citricultores esperam que na safra 2025/26, que terá início em julho, o volume volte ao patamar de 300 milhões de caixas, mas o volume ainda é considerado insuficiente para a normalização da oferta de suco.

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