A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, não resistiu ao forte aumento de seu endividamento e protocolou ontem um pedido de recuperação extrajudicial. Em comunicado, a empresa informou que a medida tem por objetivo assegurar “um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para a negociação e implementação da reestruturação das dívidas financeiras quirografárias no montante aproximado de R$ 65,1 bilhões, bem como outros créditos intercompany”.
Segundo a Raízen, o pedido contou com a adesão de credores que respondem por mais de 47% de suas dívidas financeiras quirografárias, que são aquelas sem garantias reais ou privilégios legais especiais. O percentual, na visão da companhia, demonstra “apoio relevante” a seus esforços para viabilizar a reestruturação do passivo. O grupo dispõe de 90 dias, a contar do processamento da recuperação extrajudicial, para obter o percentual mínimo necessário para a homologação do plano de recuperação extrajudicial, “assegurando, assim, a vinculação de 100% dos créditos sujeitos aos novos termos e condições de pagamento a serem definidos no plano”.
A companhia realçou, em comunicado, que o plano poderá envolver uma capitalização por parte de seus acionistas, a conversão de parte dos créditos em participação acionária, a substituição de parte dos créditos por novas dívidas, reorganizações societárias e mais vendas de ativos – o plano de desinvestimentos da Raízen representou cerca de R$ 5 bilhões em caixa até dezembro. Conforme a empresa, a recuperação extrajudicial não abrangerá dívidas e obrigações com clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios, “essenciais para a operação e continuidade das atividades, as quais permanecem vigentes e continuarão sendo cumpridas normalmente nos termos dos respectivos contratos”..
A companhia encerrou o terceiro trimestre de seu atual exercício, em dezembro, com prejuízo líquido de R$ 15,645 bilhões, ante perda de R$ 2,571 bilhões em igual intervalo do ano-fiscal anterior. Na comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado caiu 3,3%, para R$ 3,151 bilhões, enquanto a receita líquida diminuiu 9,7%, para R$ 60,392 bilhões. Em meio aos desinvestimentos e a adversidades climáticas, a moagem de cana da Raízen, caiu 23,2% no terceiro trimestre, para 10,6 milhões de toneladas. A produção de açúcar diminuiu 17,9%, para 671 mil toneladas, e a de etanol foi 19,3% mais baixa (503 mil metros cúbicos). A empresa também atua na área de distribuição de combustíveis.
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