O Grupo Casa Bugre, cujo foco está na difusão de tecnologias destinadas ao agro, voltou a suas origens no fim de 2022, e agora se prepara para acelerar seu ritmo de crescimento, baseado em inovações. Criou uma plataforma aberta nesse sentido, a AgriforLife, estabeleceu novas parcerias e já tem no portfólio apostas como fertilizantes especiais com nanopartículas de carbono, que prometem ganhar espaço expressivo em suas vendas nos próximos anos.
Com sede em Indaiatuba, no interior de São Paulo, o grupo foi criado por Antônio Carlos de Andrade Maia há mais de 40 anos. Foi pioneiro em importar, tropicalizar e distribuir híbridos de hortifrútis no Brasil e se consolidou também nos mercados de fertilizantes especiais e defensivos biológicos. Em 2020, vendeu seu controle para a gestora Tarpon, e em 2022, após concluir a venda da empresa que havia fundado para reunir boa parte de seus negócios, a Agrivalle, abriu caminho para a nova fase de negócios em curso.
“Foi mesmo uma volta às origens”, afirmou Flavio Maia, atual CEO da Casa Bugre, ao NPagro. Filho de Antonio Carlos, que assumiu a presidência do conselho de administração, Flavio bate na tecla de que era necessário ao grupo retomar seu DNA, e até 2030 espera que cerca de 70% do faturamento venha de inovações. Em 2025, a receita deverá alcançar R$ 110 milhões, 20% mais que em 2024, e nos próximos cinco anos prevê que o montante poderá chegar a R$ 250 milhões.
Nesse processo, a Casa Bugre conta com a Krilltech, “deep tech” com sede em Brasília na qual adquiriu uma fatia de 25% em 2024. Nascida de uma parceria entre a Universidade de Brasília (UnB) e a Embrapa, a Krilltech agregou ao grupo, entre outras novidades, a nanopartícula C-DOT DRIVE, que em fertilizantes especiais carrega os nutrientes e ativa enzimas específicas que melhoram a absorção de nutrientes e o metabolismos das plantas.
“É a quarta geração da nutrição”, disse Everton Molina Campos, sócio e diretor de Marketing e Inovação do Grupo Casa Bugre. Outras tacadas ao gênero tendem a ganhar corpo por meio da AgriforLife, que tem sede em Ribeirão Preto, também no interior paulista, e que está com as portas abertas para empresas e “deep techs” do mundo todo. Desde janeiro de 2024, a plataforma se conectou com 20 players de 14 países e foi responsável por prospectar e validar mais de 100 produtos, 20 dos quais já no mercado.
Segundo a Casa Bugre, soluções como uma “vacina” contra estresse e uma linha baseada em microalgas são frutos desse trabalho, e nasceram de parcerias com empresas inovadoras da Espanha e da Bélgica. A expectativa do grupo é que em 2026 mais cinco novos produtos “disruptivos” sejam lançados nessa frente, baseados no tripé eficiência, rentabilidade e sustentabilidade.
Para ampliar o alcance de suas inovações, a Casa Bugre aposta em uma estratégia de “white label”, e, nesse sentido, conta com a AgriLife Solutions, que organiza e é responsável pelos lançamentos. Foi a AgriLife que assumiu, por exemplo, o desenvolvimento aplicado da nanopartícula C-DOT DRIVE, e por meio dela o grupo firmou outras parcerias, como com a “deep tech’ Quanticum, que nasceu no campus da Unesp em Jaboticabal (SP) dedicada à mensuração de frações minerológicas do solo.
O avanço do grupo também têm sido pautado por diversificação – geográfica e de culturas atendidas. As tecnologias voltadas a hortifrútis ainda respondem por cerca de 45% do faturamento, mas a Casa Bugre vem crescendo no Cerrado e ampliando o peso de cereais e café em seus negócios. Nesse contexto, vendas diretas a grandes produtores rurais já representam 30% de sua receita, enquanto as distribuidoras de insumos respondem pelos demais 70%.
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