SLC Agrícola encerrou o 3º trimestre do ano com prejuízo menor

Ebitda e receita cresceram; empresa anunciou acordo com fundos do BTG Pactual para novos investimentos
Fernando Lopes

A SLC Agrícola, uma das maiores produtoras de grãos e algodão do país, encerrou o terceiro trimestre do ano com prejuízo líquido de R$ 14,5 milhões, 16% menor que a perda observada em igual intervalo de 2024. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da companhia subiu 14,7%, para R$ 531,4 milhões, e a receita líquida da companhia aumentou 27,9%, para R$ 2,088 bilhões.

Com isso, nos primeiros nove meses do ano a empresa passou a acumular lucro líquido de R$ 636 milhões, 19,3% mais que de janeiro a setembro do ano passado, Ebitda ajustado de R$ 2,032 bilhões (+42,5%) e receita líquida de R$ 6,281 bilhões. A receita bateu recorde no terceiro trimestre e no acumulado do ano. Desde o início de julho os resultados já incluem os números da Sierentz Agro Brasil Ltda, adquirida por US$ 135 milhões e que agregou cerca de 100 mil hectares (primeira e segunda safras) à SLC no Maranhão.

Segundo a SLC, o resultado líquido negativo trimestral foi influenciado pelo aumento das despesas com vendas, o resultado financeiro negativo de R$ 126,6 milhões e o aumento no imposto de renda e contribuição social, no valor de R$ 81,7 milhões. “No período, também foi realizado o pagamento da primeira parcela referente à aquisição da Sierentz (R$ 442,3 milhões, menos o valor de R$ 59 milhões de caixa da Sierentz) – ou seja, R$ 383,2 milhões e a venda da empresa cindida da Sierentz para a Terrus, no valor de R$ 115,2 milhões”, informou a companhia.

No terceiro trimestre, o Capex da SLC totalizou R$ 317,1 milhões, dos quais 37,6% foram destinados à expansão (R$ 119,2 milhões), com foco na aquisição de máquinas, implementos e equipamentos, além de obras e instalações e atividades de limpeza e correção de solo. O Capex de manutenção representou 62,4% do total (R$ 197,8 milhões). Já a dívida líquida ajustada da empresa encerrou setembro em R$ 6,2 bilhões, R$ 2,5 bilhões a mais que um ano antes.

“Esse crescimento decorre, principalmente, dos desembolsos relacionados ao custeio da safra, pagamento de dividendos referente ao exercício de 2024 e aos investimentos estratégicos realizados”, destacou a SLC. No trimestre, a empresa realizou os seguintes principais desembolsos:

  • R$ 180 milhões referentes à última parcela da Fazenda Paysandu; 
  • R$ 329,3 milhões da última parcela da aquisição da participação minoritária na SLC LandCo; 
  • R$ 361,5 milhões pela aquisição da Fazenda Paladino; 
  • R$ 95 milhões pela compra da Fazenda em Unaí/MG; 
  • R$ 103 milhões pela aquisição da participação minoritária na SLC-MIT; 
  • R$ 383,2 milhões referentes à primeira parcela da aquisição da Sierentz Agro Brasil Ltda., líquido do caixa da Sierentz no valor de R$59 milhões, considerando o recebimento da Terrus o valor líquido de impacto no caixa foi de R$268 milhões;
  • R$ 241 milhões referentes ao pagamento de dividendos.

“Adicionalmente, a dívida bruta de R$ 658,7 milhões da Sierentz foi incorporada ao endividamento da SLC a partir de julho. Como reflexo desses movimentos, a relação dívida líquida ajustada/Ebitda Ajustado passou de 1,80 vez, no final de 2024, para 2,34 vezes no terceiro trimestre de 2025, principalmente devido ao aumento da dívida líquida no período”, pontuou a companhia.

Nesta safra 2025/26, que está em fase de semeadura, a área plantada total da SLC deverá atingir 835,8 mil hectares, ante 735,9 mil em 2024/25. A soja lidera, com 431,2 mil hectares, seguida por milho safrinha, com 158,7 mil hectares, e algodão, com 198,7 mil hectares no total (primeira e segunda safras).

ACORDO COM FUNDOS do BTG PACTUAL

Ontem, a SLC também informou que fechou acordo com fundos de investimento em participações (FIP) administrados pelo BTG Pactual com o objetivo de adquirir e arrendar terras agrícolas, investir em sistemas de irrigação e infraestrutura e amarrar contratos de parceria rural. 

“A operação prevê a constituição de sociedade(s) de propósito específico (SPEs), com participação de 50,01% da SLC Agrícola e 49,99% dos FIPs. A SLC Agrícola subscreverá capital por meio da contribuição de ativos, incluindo a Fazenda Piratini, localizada no Estado da Bahia, elencada entre as fazendas participantes do projeto de irrigação divulgado pela companhia, bem como sua infraestrutura e equipamentos de irrigação”, realçou. 

Segundo a empresa, os demais sócios aportarão capital em dinheiro, proporcional às respectivas participações, totalizando R$ 1,033 bilhão (R$ 914 milhões à vista e R$ 119 milhões no segundo semestre de 2026). “Com esses recursos, as SPEs irão adquirir 21.471 hectares agricultáveis da Fazenda Paladino, atualmente de propriedade da SLC Agrícola. Os recursos das SPEs e o caixa gerado serão destinados à implementação e ao desenvolvimento dos projetos de irrigação”, explicou. 

“Na Fazenda Piratini, o projeto já se encontra em andamento e, até 2026, está prevista a execução adicional de 6.303 hectares, totalizando 13.204 hectares irrigados. Na Fazenda Paladino, o projeto de irrigação será implementado desde a fase inicial, abrangendo 14.730 hectares, dependendo de licenças para captação de água e perfuração de poços, bem como do fornecimento de energia elétrica. A expectativa é implementar o projeto de irrigação na Fazenda Paladino entre os anos de 2028 e 2030”, continuou a SLC, em comunicado. 

As SPEs serão proprietárias dos imóveis e, no fechamento da transação, assinarão contratos de parceria rural com a SLC Agrícola e com a SLC Mit (parceira outorgada e operadora), para cessão em parceria dos imóveis destinados ao cultivo de grãos e fibras, com compartilhamento dos resultados. “A remuneração das SPEs corresponderá a aproximadamente 19% da produção agrícola nas áreas objeto da parceria. A parceria rural terá prazo inicial de 18 anos, com prorrogação automática a cada três anos”, concluiu a companhia.

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