“Tivemos um balanço ruim”, diz CEO da Boa Safra

Atraso no plantio, chuva na colheita e queda no volume de produção afetaram desempenho da companhia, que viu resultado anual encolher 62%
Fernando Lopes

“Tivemos um balanço ruim, bem aquém do que gostaríamos de ter, mas a gente teve um ano mais desafiador no mercado de sementes”. Esse foi o resumo de Marino Colpo, CEO da Boa Safra Sementes, durante conversa com jornalistas para falar dos resultados da companhia.

A Boa Safra viu seu lucro líquido ajustado encolher para R$ 60 milhões no quarto trimestre de 2024. O resultado representa uma queda de 58,8% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) caiu 20%, para R$ 103,15 milhões. Já a receita cresceu 13,8%, para R$ 956,9 milhões.

Os resultados do quarto trimestre praticamente resumem o que foi o ano de 2024 para a Boa Safra. O lucro líquido anual da companhia recuou 61,2%, para R$ 93,5 milhões. Já o Ebitda caiu 35,4%, para R$ 183,3 milhões, enquanto a receita teve queda de 11,4%, para R$ 1,85 bilhão.

Na avaliação de Colpo, três foram os fatores que explicam o desempenho da Boa Safra no ano passado: clima, crédito e custos.

No caso do clima, a seca que atingiu as regiões produtoras de semente em 2023 atrasaram demais o plantio. Os trabalhos que deveriam começar em outubro precisaram ser estendidos até dezembro. Além disso, as chuvas também atrapalharam a colheita, ampliando os trabalhos até abril.

Assim, o clima reduziu a disponibilidade de produto a ser vendido. A empresa projetava comercializar 240 mil big bags de sementes em 2024. Vendeu 205 mil, praticamente o mesmo volume registrado em 2023.

O segundo ponto foi o crédito. Segundo Colpo, a Boa Safra decidiu ficar mais exigente em relação à concessão de crédito para algumas das grandes revendas. Sem citar nomes, o executivo disse que houve uma série de cancelamento de pedidos e devolução de produtos no terceiro trimestre do ano passado.

“Quando esse produto voltou, acabamos recolocando essa semente no mercado com um preço mais baixo. Restringir o crédito teve um impacto nas vendas da companhia”, disse Colpo.

Por fim, os custos cresceram. A Boa Safra projetava um crescimento de 20% nas vendas e se preparou para isso, aumentando a equipe e investindo nas plantas. Com isso, as despesas com vendas subiram 64,4% para R$ 44 milhões em 2024, enquanto os custos administrativos avançaram 58,5% no ano, para R$ 44,8 milhões. Com a queda de 11% na receita, o resultado atingiu diretamente o balanço.

Para 2025

Com 2024 deixado para trás, a Boa Safra trabalha agora para recuperar o tempo perdido. A empresa projeta a venda de 280 mil big bags de sementes neste ano, está capitalizada com o CRA de R$ 500 milhões emitido em janeiro e uma estrutura de capital preparada para um ano que ainda exige cautela.

Uma das estratégias a ser adotada passa pelo número de pontos de venda. Segundo Colpo, a Boa Safra já tem mapeado 1.300 possíveis pontos para distribuir os produtos da companhia. No ano passado, a empresa esteve em 697 distribuidoras, 14% a mais do que no ano anterior. Para 2025, a meta é passar das 900 lojas atendidas.

“Nossa venda para grandes distribuidoras vem caindo. No ano passado, só 19% do nosso volume foi para grandes distribuidoras”, disso Colpo. em termos comparativos, as grandes revendas representaram 41% do volume comercializado pela Boa Safra em 2023, depois de alcançar 64% em 2021.

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