Após bater recorde no 1º semestre, exportação de carne bovina enfrenta cenário adverso

Segundo a Abrafrigo, barreiras na China e na UE tendem a brecar ritmo de crescimento; de janeiro a junho, embarques alcançaram quase US$ 10 bilhões
Fernando Lopes
(Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias)

Após atingirem novos recordes históricos no primeiro semestre do ano, as exportações de carne bovina do Brasil têm pela frente um segundo semestre de desafios. Isso porque a cota definida pela China para embarques brasileiros da proteína isentos da tarifa de 55% imposta para volumes superiores a 1,1 milhão de toneladas está virtualmente esgotada, e também por causa da ameaça da União Europeia de proibir a entrada dos cortes brasileiros em seu mercado a partir de setembro, em decorrência de divergências em torno do uso de antimicrobianos.

Esse é o cenário traçado pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), que espera um arrefecimento das vendas ao exterior nos próximos meses. De janeiro a junho, as exportações alcançaram 1,811 milhão de toneladas, 7,3% mais que em igual intervalo de 2025, e renderam US$ 9,929 bilhões, com aumento de 33,4% na mesma comparação. Para a China, principal destino dos embarques, foram 774,7 mil toneladas, em alta de 22,6%, ou US$ 4,818 bilhões, com incremento de 50,3%.

“Estima-se que a cota chinesa de importações de carne bovina do Brasil, fixada em 1,106 milhão de toneladas para 2026, tenha se esgotado com os embarques realizados no mês de junho. Com isso, a partir de julho cessaram-se os embarques destinados à China, o que deve comprometer significativamente o desempenho das exportações no segundo semestre do ano, até que a quota seja restabelecida para o início do próximo ano”, informou a Abrafrigo, em nota divulgada nesta segunda-feira.

“Como o governo chinês contabilizou, para efeito de controle da cota, as cargas que chegaram aos portos chineses a partir do dia 1º de janeiro de 2026, mesmo que tivessem sido embarcadas nos meses finais de 2025, estima-se que o somatório dessas cargas com o volume efetivamente embarcado nos portos brasileiros de janeiro a junho de 2026 tenha preenchido o total ou muito próximo da cota de 1,106 milhão de toneladas destinadas ao Brasil para o ano de 2026”, realçou a entidade.

Nas contas da Abrafrigo, em 2026 as exportações brasileiras de carne bovina para a China deverão ser US$ 4 bilhões inferiores às do ano passado, que renderam US$ 8,845 bilhões no total. Mas o tombo poderá ser atenuado por uma eventual retomada dos embarques nos dois últimos meses do ano, de cargas que só chegariam aos portos chineses em janeiro do ano que vem. A política de salvaguardas de Pequim estabeleceu cotas para todos os países exportadores.

No caso da União Europeia, ainda há esperança de que o fluxo não seja interrompido no início de setembro em razão das divergências em torno do uso de antimicrobianos. O Ministério da Agricultura do Brasil já informou que mudou os procedimentos para que o Brasil se ajuste às exigências dos europeus, mas até agora a UE ainda não se pronunciou sobre uma possível retirada do futuro embargo. No primeiro semestre de 2026, os embarques do Brasil para o bloco renderam US$ 482,7 milhões, com avanço de 35,3% ante o mesmo período de 2025.

No terreno das boas notícias para os exportadores continuam os Estados Unidos, que vive um período de oferta de gado – e, consequentemente de carne – e continua a ampliar as compras no exterior. De janeiro a junho, as exportações brasileiras para os EUA atingiram US$ 1,465 bilhões, em alta de 14,8%.

“O país norte-americano segue com expectativas de crescimento favoráveis para o segundo semestre do ano, especialmente pelo fato de que a carne bovina permaneceu fora das novas tarifas aplicadas pelo governo dos EUA a produtos brasileiros. Vale lembrar que as vendas de carne bovina para os EUA foram prejudicadas pelo tarifaço que vigorou de agosto a novembro do ano passado e que o país ainda enfrenta problemas no abastecimento interno, com baixa produção e preços elevados para seus consumidores, o que favorece o crescimento nas exportações para aquele mercado ao longo do ano”, observou a Abrafrigo.

 

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