A BrasilAgro, que atua nas áreas de compra e venda de propriedades rurais e de produção de grãos, fibras e bioenergia, encerrou o primeiro trimestre de seu atual exercício, em setembro, com lucro líquido de R$ 81,3 milhões, ante prejuízo de R$ 64,3 milhões em igual intervalo do ano-fiscal anterior. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da companhia cresceu 47%, para R$ 94,6 milhões, e sua receita líquida aumentou 16%, para R$ 351,7 milhões.
A melhora dos resultados veio sobretudo da frente imobiliária, onde a venda de parte da fazenda Rio do Meio, em Correntina (BA), por R$ 94,2 milhões (receita reconhecida de FR$ 77 milhões, após ajuste a valor presente de R$ 17,2 milhões), gerou ganho de R$ 50,8 milhões. Entre julho e setembro de 2025, a BrasilAgro não realizou negócios envolvendo compra ou venda de propriedades rurais. “Essa venda foi fundamental”, resumiu André Guillaumon, CEO da empresa, em conversa com jornalistas.
Considerando-se apenas o segmento operacional, a BrasilAgro registrou lucro líquido de R$ 30,5 milhões no primeiro trimestre, o Ebitda da companhia recuou 32%, para R$ 43,8 milhões, e a receita líquida permaneceu praticamente estável, em R$ 300,9 milhões. A receita líquida derivada da soja diminuiu 7%, para R$ 112,1 milhões, e o resultado bruto total (incluindo derivativos) proporcionado pelo grão caiu 34%, para R$ 25,7 milhões. Na cana, outro carro-chefe das operações da empresa, a receita líquida recuou 10%, para R$ 116,3 milhões, e o resultado bruto total aumentou 14%, para R$ 19,8 milhões.
Ainda no front operacional, Guillaumon destacou o ritmo mais avançado do plantio de soja da BrasilAgro nesta safra 2026/27, principalmente em Mato Grosso, e os problemas gerados pelas chuvas para a colheita de cana em São Paulo. Na temporada, a semeadura de soja da empresa deverá se estender por 75,5 mil hectares, 5% menos que no ciclo 2025/26, e no total (incluindo também cana, milho, algodão, feijão e pasto) a área plantada tende a superar 164 mil hectares.
“O real ficou estável em relação ao dólar no período, próximo de R$ 5,17 no fim de setembro, e a melhora dos preços da soja abriu espaço para avançarmos na fixação de preços da safra 26/27. No clima, a transição para condições de El Niño pede mais cautela no plantio, e as tensões geopolíticas, como as restrições no Estreito de Ormuz, aumentam a volatilidade de fertilizantes, defensivos e fretes, risco que mitigamos com a antecipação das compras de insumos”, destacou a BrasilAgro, em texto que acompanha os resultados divulgados nesta terça-feira.
Sobre os negócios imobiliários, o CEO da companhia não descarta novos negócios, com a ressalva de que o custo do capital no país ainda é um grande empecilho e que a curva de juros no longo prazo não é nada animadora. “O mercado [em geral] está menos comprador do que vendedor”, pontuou Guillaumon, e para arrendamentos os valores ainda estão elevados. O portfólio de terras da empresa encerrou o primeiro trimestre do exercício com 190,1 mil hectares entre áreas úteis próprias (120 mil) e arrendadas (70,1 mil) distribuídas por Brasil (147,8 mil hectares no total), Bolívia (10,1 mil) e Paraguai (32,2 mil).
A BrasilAgro também destacou, finalmente, que encerrou o primeiro trimestre do exercício com alavancagem mais baixa, lembrou que aprovou em outubro a distribuição de R$ 30 milhões em dividendos e adotou um tom otimista sobre este e os próximos trimestres. “Com um balanço mais leve, R$ 626 milhões a receber por vendas de fazendas e a safra 26/27 bem encaminhada, temos flexibilidade para atravessar um ano de clima mais incerto e para aproveitar as oportunidades que surgirem no mercado de terras”, concluiu.
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