Bunge e Repsol vão usar “safrinha” europeia para fazer biodiesel e SAF

Empresas apostam em culturas intermediárias para produzir óleos de baixo carbono e mudar a cara dos combustíveis renováveis na Europa
Fernando Lopes
(foto: Freepik)

A petroquímica espanhola Repsol e a gigante agrícola Bunge anunciaram sua nova aposta para a produção de combustíveis renováveis na Europa. As empresas vão usar a camelina e cártamo como base para fabricação de óleos vegetais com baixa intensidade de carbono.

A ideia é que o produto sirva de matéria-prima para a produção de óleo vegetal hidrotratado (HVO) – uma espécie de biodiesel – que funciona como substituto para o diesel convencional ou para fabricação de combustível de aviação sustentável (SAF).

Tanto a camelina quanto o cártamo são consideradas culturas intermediárias na Europa, algo semelhante à segunda safra no Brasil. Ambas são lavouras de ciclo curto, tolerantes à seca e usadas como alternativa em áreas marginais durante a entressafra.

A ideia é que a Repsol use os ativos adquiridos da própria Bunge em 2024 para converter o óleo extraído das plantas em combustível renovável. Já a Bunge ficará responsável pela relação com os produtores e na originação da matéria-prima para as fábricas.

“Estamos adicionando novas fontes de óleo às nossas cadeias de suprimentos globais e investindo em plantas de processamento com maior capacidade de manusear e processar essas culturas, expandindo nossa oferta de matérias-primas sustentáveis ​​e econômicas para clientes em todo o mundo”, disse Julio Garros, copresidente de agronegócios da Bunge.

Segundo Juan Abascal, diretor executivo de transformação industrial e economia circular da Repsol a aposta nos combustíveis renováveis faz parte da estratégia da companhia para chegar a emissões zero até 2050. Nossa aliança estratégica com a Bunge fortalece nossa capacidade de alcançar nossa visão compartilhada de descarbonizar a indústria e a mobilidade da maneira mais eficiente”, disse.

Em março do ano passado, a Repsol desembolsou US$ 300 milhões por 40% por três instalações industriais da Bunge em Bilbao, Barcelona e Cartagena. O acordo previa que a Bunge seguisse na operação das fábricas dedicadas à produção de óleos e biocombustíveis.

Com a aquisição, o plano da petroquímica é alcançar uma capacidade de produção de biocombustíveis de 1,7 milhões em 2027 para atender à sua própria demanda. A empresa tem acelerado a implementação de combustíveis renováveis ​​em sua rede de postos de gasolina, adicionando bombas que abastecem com combustível 100% renovável. Atualmente, o produto pode ser encontrado em cerca de 600 postos e chegar a 1.900 em dois anos.

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