As exportações brasileiras de carne de frango continuaram a acusar, em agosto, os reflexos negativos provocados por suspensões temporárias das importações que persistem em alguns mercados. As travas vieram depois da confirmação, em meados de maio, do primeiro caso de gripe aviária de alta patogenicidade em uma granja comercial no país, em Montenegro (RS).
O problema foi superado depois de realizadas as medidas de controle e prevenção e de um período de vazio sanitário de 28 dias, e mais de 40 países que haviam imposto restrições às compras já as retiraram, conforme informações do Ministério da Agricultura. Mas China, Canadá, Malásia e Paquistão e Timor-Leste ainda não reabriram as portas.
A União Europeia também continua nessa lista, mas ontem reconheceu o Brasil como novamente livre da doença, segundo informou o comissário de Saúde e Bem-Estar Animal do bloco, Olivér Várhelyi, ao ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. Várhelyi lembrou que os países-membros da UE terão que ratificar a retirada das barreiras à proteína brasileira, e que, com isso, a retomada das compras será gradual.
“O próximo passo é a retomada do pre-listing e a retirada do controle reforçado aplicado pela UE aos produtos brasileiros. Essas medidas tornarão o comércio mais ágil e eficiente”, afirmou Fávaro, em nota. O pre-listing dispensa auditorias adicionais para que empresas brasileiras possam exportar à UE.
Nesse contexto, as exportações de carne de frango do Brasil alcançaram 394,6 mil toneladas e renderam US$ 699,4 milhões em agosto, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Em julho, foram 399,7 mil toneladas, ou US$ 737,8 milhões, e em agosto de 2024 o volume atingiu 379,8 mil toneladas e a receita somou US$ 793,6 milhões.
A ABPA apontou que, em agosto, o México foi o maior destino das exportações de carne de frango do Brasil pela primeira vez, com compras de 37,5 mil toneladas, 873,3% superiores às do mesmo mês de 2024. Em seguida veiram Emirados Árabes Unidos, com 32,5 mil toneladas (-16,9%), Japão, com 30,3 mil toneladas (-22,2%) e Arábia Saudita, com 27 mil toneladas (+0,6%).
Ainda segundo a entidade, de janeiro a agosto os embarques chegaram a 3,394 milhões de toneladas, uma leve queda de 1,1% em relação a igual intervalo do ano passado. Nessa comparação, o valor das vendas permaneceu praticamente estável, em US$ 6,308 bilhões.
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