Plano Safra 2026/27 da agricultura empresarial terá R$ 525 bi e juros levemente menores

Montante total é R$ 8,9 bilhões superior ao de 2025/26; taxas são até 1,5 pontos percentuais inferiores
Fernando Lopes

O governo brasileiro lançou nesta terça-feira, em cerimônia no Palácio do Planalto, o Plano Safra 2026/27 da agricultura empresarial, com um total de R$ 525,1 bilhões em recursos, R$ 8,9 bilhões a mais que no ciclo 2025/26. Com taxas de juros até 1,5 ponto percentual inferiores, o novo plano, que entrará em vigor em 1º de julho, reserva R$ 384,9 bilhões para operações de custeio e comercialização, valor R$ 29,8 bilhões inferior ao do ano-safra anterior, e R$ 140,2 bilhões para investimentos, com aumento de R$ 38,7 bilhões.

Para o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), o Plano Safra 2026/27 prevê a liberação de R$ 72,6 bilhões, um incremento de R$ 3,5 bilhões ante 2025/26. Nessa frente, a taxa máxima de juros caiu um ponto percentual, para 9% ao ano. “A redução dos juros fortalece um segmento essencial para a produção de alimentos, a geração de empregos e a dinamização das economias locais”, destacou o governo, em comunicado. Aos demais produtores e cooperativas, são R$ 452,5 bilhões, com avanço de R$ 5,5 bilhões.

Entre os principais programas de investimentos contemplados pelo Plano Safra, o PCA (armazenagem) para até 12 mil toneladas é o que terá a menor taxa de juros (8%), enquanto o Moderfrota (máquinas agrícolas) terá a maior (12,5%). Nos dois casos, a demanda em 2025/26 foi prejudicada pelo cenário macroeconômico adverso, marcados por juros ainda elevados, e pela restrição de crédito aos produtores de grãos, em tempos de alta das taxas de inadimplência e aumento de prédios de recuperação judicial por parte de produtores rurais.

“Além da redução geral das taxas, o Plano Safra 2026/27 reforça o incentivo à adoção de práticas produtivas sustentáveis e à regularização ambiental das propriedades rurais, reconhecendo produtores que adotam boas práticas agropecuárias, padrões de gestão e certificações reconhecidas. A redução poderá ser de até 1 ponto percentual na taxa de juros de custeio. O desconto contempla até 0,5 ponto percentual para produtores com Cadastro Ambiental Rural (CAR) em situação regular e outro 0,5 ponto percentual para aqueles que adotarem práticas agropecuárias sustentáveis. A medida fortalece a ideia de que produzir com responsabilidade e eficiência, também significa melhores condições de financiamento”, destacou o governo.

Para David Telio, diretor de Novas Estruturas Financeiras da fintech TerraMagna, o Plano Safra 2026/27 trouxe avanços limitados diante dos desafios do agro no país. “Embora o aumento do volume total seja positivo, a redução dos recursos destinados às linhas de custeio e comercialização, de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões, merece atenção. Essa diminuição tende a restringir ainda mais a capacidade financeira dos produtores rurais, justamente em um momento em que muitos ainda enfrentam elevado endividamento e necessitam de capital de giro para financiar a nova safra”, afirma.

Outro ponto que gera preocupação, segundo ele, é a ausência de medidas específicas voltadas à renegociação e reestruturação das dívidas rurais, uma das principais demandas do setor. “O elevado endividamento acumulado desde 2023 continua comprometendo a capacidade de pagamento de inúmeros produtores, especialmente diante da combinação de adversidades climáticas, baixos preços das commodities agrícolas e redução das receitas operacionais”, diz.

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