Planta da JBS em MT perde registro para exportar ao México

Unidade de Confresa está proibida de embarcar ao país depois que quase 50 toneladas de carne foram barradas pela vigilância sanitária
Fernando Lopes

A unidade da JBS em Confresa (MT) está proibida de exportar carne bovina ao México. A decisão foi tomada pelo Serviço Nacional de Sanidade, Inocuidade e Qualidade Alimentar (Senasica) mexicano no dia 03 de abril, quando foi protocolado um ofício com a decisão na embaixada brasileira no México.

A ordem para vetar a unidade foi proferida após o serviço sanitário mexicano ter identificado más condições de preservação em um lote de 23,6 toneladas de carne bovina.

O Senasica rechaçou a carga, que apresentava descongelamento, escorrimento de sangue e estado de decomposição, fatores que caracterizam o descumprimento da norma mexicana. Porém, esse não foi o primeiro caso.

Em 25 de março, o Senasica já havia comunicado ao Ministério da Agricultura do Brasil que 24,1 toneladas de carne da mesma unidade de Confresa apresentavam problemas semelhantes de conservação. 

À época, o carregamento também foi barrado pela autoridade sanitária do México, que solicitou ações corretivas e medidas preventivas, além da verificação e validação por parte do Ministério da Agricultura brasileiro de que essas ações seriam corretamente implantadas pela planta.

“O cancelamento do registro da planta será realizado pela ocorrência de segundo rechaço por defeito crítico dentro do período de 12 meses”, diz o documento assinado pelo diretor geral de Inocuidade Agroalimentar, Aquícola e Pesqueira do Sanasica, Leandro David Soriano García.

Depois da segunda notificação e da suspensão do registro de exportação, o governo mexicano quer agora mais informações. Foi solicitado ao Ministério da Agricultura do Brasil um resumo da investigação do governo brasileiro ao sistema de inocuidade da planta envolvida, indicando a causa raiz do desvio, ações corretivas e medidas preventivas e a garantia do ministério de que elas estejam sendo corretamente implementadas.

Em nota, a JBS esclareceu que não houve cancelamento, mas suspensão do registro de exportação e que os embarques serão retomados o quanto antes. “Os episódios apontados foram pontuais, e o mercado mexicano continua plenamente abastecido por outras 12 unidades habilitadas, enquanto a companhia trabalha nos planos para retomada dessa fábrica”, diz a empresa. (veja abaixo a íntegra da nota da companhia)

Além dos dois casos envolvendo o México, em fevereiro deste ano, a unidade de Confresa foi responsável por colocar os olhos da vigilância sanitária dos Estados Unidos sobre a companhia, conforme matéria publicada pelo NPagro no dia 20 de março.

Na ocasião, o Serviço de Segurança e Inspeção de Alimentos (FSIS) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou ao governo brasileiro ter encontrado um “corpo estranho” em meio à carne congelada exportada pela JBS a partir da planta de Confresa. Esse “corpo estranho” era uma faca de metal de 38 centímetros.

O caso da faca não levou à perda do registro da planta. Porém, a autoridade americana fez um alerta: aquela era a segunda notificação contra a fábrica de Confresa em menos de três meses. A primeira ocorreu em dezembro de 2024.

Na época, a JBS enviou uma nota ao NPagro dizendo que aquele era um episódio pontual e que já havia sido sanado. 

Segue abaixo o posicionamento da JBS, na íntegra:

“Não houve cancelamento, mas suspensão do registro de exportação da planta mencionada. Os embarques serão retomados o quanto antes. Os episódios apontados foram pontuais, e o mercado mexicano continua plenamente abastecido por outras 12 unidades habilitadas, enquanto a companhia trabalha nos planos para retomada dessa fábrica.

A JBS segue os mais altos padrões sanitários para garantir o fornecimento de produtos seguros e de qualidade para seus clientes e consumidores. A empresa cumpre rigorosamente os protocolos de exportação de todos os países com que faz negócios”.

 

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