Prejuízo da Raízen cresceu para R$ 7,3 bi no 4º trimestre do exercício 2025/26

Em todo o ano-safra, resultado líquido da empresa, que pediu recuperação extrajudicial, foi negativo em R$ 27,1 bilhões
Fernando Lopes

A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, encerrou o quarto trimestre de seu exercício 2025/26, em março, com prejuízo líquido de R$ 7,334 bilhões, ante perda de R$ 2,514 bilhões em igual intervalo do ano-fiscal anterior. Na mesma comparação, a empresa registrou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 2,884 bilhões, em alta de 46%, e receita líquida de R$ 51,329 bilhões, em queda de 11,1%.

Segundo a companhia, uma potência em açúcar e bioenergia que recentemente pediu recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de R$ 64,7 bilhões, o incremento do prejuízo trimestral refletiu o aumento de despesas financeiras derivado do maior saldo de seu endividamento e da taxa média do CDI, um impacto pontual (sem efeito caixa) relacionado à constituição de provisões para não realização de determinados ativos e também despesas não recorrentes associadas ao próprio processo de recuperação.

Em contrapartida, realçou a Raízen, o Ebitda reagiu embalado por expansões em todos os segmentos de negócios, inclusive distribuição de combustíveis no Brasil e na Argentina. “O desempenho refletiu a combinação de maior rentabilidade e crescimento dos volumes comercializados no período, além da captura de ganhos de eficiência estrutural em toda a companhia”, destacou. Em todo o exercício 2025/26, a empresa registrou prejuízo de R$ 27,135 bilhões, mais de seis vezes superior ao de 2024/25, Ebitda ajustado de R$ 11,273 bilhões (-2,3%) e receita líquida de R$ 225,849 bilhões (-11,5%). Em 31 de março, a dívida líquida da companhia estava em R$ 58,229 bilhões.

Apesar das pioras, a Raízen reforçou que entregou “avanços concretos” que começaram a se traduzir em melhorias estruturais. “Reduzimos custos e despesas em aproximadamente R$ 1 bilhão, avançamos com rigor na alocação de capital, reduzindo o capex em R$ 3,3 bilhões em relação ao ano anterior, e demos passos relevantes na readequação do portfólio, com impacto positivo estimado de R$ 12 bilhões na posição financeira – sendo cerca de 40% já capturados e 60% a serem reconhecidos com o fechamento da venda dos ativos na Argentina”. 

Na área de etanol, açúcar e bioenergia, a moagem de cana da Raízen somou R$ 70,5 milhões de toneladas na safra 2025/26, em baixa de 9,8% ante o ciclo anterior. A produção de açúcar da empresa caiu 5,5% na comparação, para 4,824 milhões de toneladas, e a de etanol recuou 17,9%, para 2,576 milhões de metros cúbicos. Já a produção de etanol de segunda geração (E2G) praticamente dobrou e atingiu 120,2 mil metros cúbicos.

Além de adversidades climáticas, pontuou a Raízen “o volume de moagem foi impactado por iniciativas de otimização do portfólio, incluindo a venda de aproximadamente 2 milhões de toneladas de cana e a hibernação das usinas MB (realizada em novembro de 2024 e inoperante nesta safra) e Santa Elisa (hibernada desde julho de 2025). Desconsiderados esses efeitos, a moagem totalizaria 69,2 milhões de toneladas (-3,9% em relação à safra anterior). O mix de produção permaneceu alinhado à estratégia de maximização de rentabilidade, refletindo a fixação de preços do açúcar e a qualidade da matéria-prima. No E2G, os volumes produzidos cresceram, refletindo a estabilização operacional das plantas Bonfim, Univalem e Barra”, informou a companhia.

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