SLC desembolsa R$ 913 milhões e adiciona 47,8 mil hectares ao portfólio

Valor equivale à aquisição de dois lotes da Agrícola Xingu, controlada pela japonesa Mitsui & Co, em São Desidério (BA) e Unaí (MG).
Fernando Lopes

Em menos de 10 dias, a SLC Agrícola resolveu abrir o caixa e sair às compras. Entre sexta-feira da semana passada (07/03) e hoje, a companhia controlada pela família Logemann comprometeu R$ 1,72 bilhão em aquisições.

O mais recente negócio foi fechado com a gigante japonesa Mitsui, controladora da Agrícola Xingu. A SLC vai pagar R$ 723 milhões por 39.987 hectares de terras no município de São Desidério (BA) e R$ 190 milhões por 7.835 hectares em Unaí (MG).

Na Bahia, a área faz parte da Fazenda Paladino, já arrendada e operada pela SLC. Em Minas Gerais, as terras compõem a Fazenda Pamplona, sendo que 7.333 hectares já eram arrendados e operados pelo grupo gaúcho. Assim, a SLC coloca efetivamente 502 hectares adicionais sob sua gestão.

A empresa vinha reduzindo a participação dos ativos fixos no total ao longo dos últimos anos, priorizando uma expansão da área por meio de arrendamentos. Mas, em recente teleconferência com analistas, os executivos da SLC afirmaram que, dada a baixa alavancagem da empresa, inferior a 2 vezes, havia espaço para aquisições de áreas próprias. 

E o valor médio do hectare, considerado muito atrativo, levou a SLC a incorporar novas áreas ao seu portfólio. Na Bahia, a companhia vai pagar R$ 32.876 pelo hectare, enquanto em Minas Gerais, valor médio ficou em R$ 36.176. Segundo alguns analistas, os valores são bastante inferiores aos praticados no mercado, em ambos os casos.

O movimento da SLC foi apenas mais um sinal do apetite da companhia. Na semana passada, a empresa assinou contrato para adquirir 100% da Sierentz Agro Brasil por US$ 135 milhões. A empresa cultiva soja e milho e cria gado no sistema de integração lavoura-pecuária.

A operação da Sierentz se concentra em 96 mil hectares arrendados no Maranhão (68 mil hectares), no Piauí (18 mil hectares) e no Pará (10 mil hectares). Como parte dessas áreas é apta a receber uma segunda safra, a SLC calcula um potencial de 135 mil hectares plantados. Os contratos de arrendamento em vigor têm prazo médio de 13 anos e custo médio anual de 9,3 sacas de 60 quilos de soja por hectare.

A companhia informou que, na hipótese de confirmação e fechamento do negócio, em torno de 33 mil hectares físicos já possuem proposta vinculante para aquisição dos direitos de operação pela Terrus S.A. O valor aproximado dessa transação é de R$191,2 milhões (mais ou menos o capital de giro). As máquinas e equipamentos pertinentes à operação desses 33 mil hectares já estão inclusos no valor da transação.

A SLC encerrou o quarto trimestre de 2024 com prejuízo líquido de R$ 51,4 milhões, ante perda de R$ 153 milhões em igual intervalo de 2023. Na mesma comparação, a receita líquida da companhia cresceu 3%, para R$ 1,975 bilhão.

Apesar terminar o último trimestre ainda no vermelho, as perspectivas para 2025 são positivas. No Brasil, colheita recorde de grãos; no exterior, preços mais firmes de soja e milho e … Donald Trump. Para a SLC, essa combinação tende a gerar resultados positivos ao longo do ano, capazes de devolver a companhia aos trilhos do crescimento após os problemas causados por quebra de safra e redução de preços em 2024.

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