Poucas cadeias produtivas do agro brasileiro sentirão tanto os reflexos negativos diretos do tarifaço imposto por Donald Trump quanto a de suco de laranja. Com a tarifa adicional de 10% incidente sobre as importações americanas em geral, a CitrusBR, entidade que representa Citrosuco, Cutrale e Louis Dreyfus Company, as maiores exportadoras de suco do Brasil, calcula que o impacto poderá chegar a cerca de US$ 100 milhões por ano.
A conta tem como base números da safra atual (2024/25), que terminará em junho, e projeta embarques anualizados do Brasil aos EUA de 235,5 mil toneladas equivalentes ao suco concentrado e congelado (FCOJ). De julho do ano passado ao último mês de fevereiro, as vendas de suco brasileiro ao mercado americano somaram 207,2 mil toneladas, ou US$ 879,8 milhões. O volume correspondeu a quase 40% do total.
Com problemas para manter sua oferta, sobretudo fitossanitários, os EUA ampliaram as compras nos últimos anos e se tornaram o segundo principal destino das exportações de suco de laranja do Brasil, atrás apenas da Europa. E isso apesar da tarifa de US$ 415 por tonelada já existente, que representou US$ 85,9 milhões em 2024, segundo a CitrusBR. Somando-se a tarifa já existente e a nova, portanto, o ônus poderá se aproximar da marca de US$ 200 milhões por ano.
“As empresas brasileiras seguem, de forma individual e com base em suas estratégias comerciais, abastecendo o mercado dos Estados Unidos com suco de laranja de alta qualidade. O setor lamenta, no entanto, que a medida tenha sido adotada sem considerar o histórico de complementaridade entre a produção brasileira e a indústria da Flórida, além da relação de longo prazo com empresas engarrafadoras que atuam nos Estados Unidos”, afirma a CitrusBR, em nota.
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