Tarifaço de Trump prejudica exportações de suco de laranja do Brasil

CitrusBR calcula reflexo negativo adicional da ordem de US$ 100 milhões por ano
Fernando Lopes

Poucas cadeias produtivas do agro brasileiro sentirão tanto os reflexos negativos diretos do tarifaço imposto por Donald Trump quanto a de suco de laranja. Com a tarifa adicional de 10% incidente sobre as importações americanas em geral, a CitrusBR, entidade que representa Citrosuco, Cutrale e Louis Dreyfus Company, as maiores exportadoras de suco do Brasil, calcula que o impacto poderá chegar a cerca de US$ 100 milhões por ano.

A conta tem como base números da safra atual (2024/25), que terminará em junho, e projeta  embarques anualizados do Brasil aos EUA de 235,5 mil toneladas equivalentes ao suco concentrado e congelado (FCOJ). De julho do ano passado ao último mês de fevereiro, as vendas de suco brasileiro ao mercado americano somaram 207,2 mil toneladas, ou US$ 879,8 milhões. O volume correspondeu a quase 40% do total.

Com problemas para manter sua oferta, sobretudo fitossanitários, os EUA ampliaram as compras nos últimos anos e se tornaram o segundo principal destino das exportações de suco de laranja do Brasil, atrás apenas da Europa. E isso apesar da tarifa de US$ 415 por tonelada já existente, que representou US$ 85,9 milhões em 2024, segundo a CitrusBR. Somando-se a tarifa já existente e a nova, portanto, o ônus poderá se aproximar da marca de US$ 200 milhões por ano.

“As empresas brasileiras seguem, de forma individual e com base em suas estratégias comerciais, abastecendo o mercado dos Estados Unidos com suco de laranja de alta qualidade. O setor lamenta, no entanto, que a medida tenha sido adotada sem considerar o histórico de complementaridade entre a produção brasileira e a indústria da Flórida, além da relação de longo prazo com empresas engarrafadoras que atuam nos Estados Unidos”, afirma a CitrusBR, em nota.

Nova cota dos EUA para carne bovina brasileira alivia reflexos negativos da salvaguarda chinesa

Cota de 1,1 milhão de toneladas livre de tarifa adicional de 55% estabelecida por Pequim para o Brasil em 2026 já foi preenchida

Coamo amplia investimentos em operações industriais e verticalização de processos

Cooperativa com sede em Campo Mourão (PR) planeja aporte de R$ 500 milhões para dobrar fábrica de óleo de soja em Paranaguá

Produção brasileira de carnes deverá crescer em 2026 e 2027, aponta Conab

Aumentos serão puxados pelas carnes suína e de aves, uma vez que para a carne bovina a tendência é de queda

NPagro Clima: NOAA confirma ocorrência do “Super” El Niño

Amanda Balbino, da Ampere Meteorologia, analisa origens e reflexos do fenômeno

Resenha NPagro: A nova Lei Geral de Licenciamento Ambiental na berlinda

Inscreva-se para receber
as notícias gratuitamente

Ao inserir seu e-mail, você concorda em receber a newsletter do NPAgro. Você pode cancelar sua inscrição a qualquer momento

MAIS LIDAS

ESG

Pecuária sustentável: O “green lot” da família Costabeber em São Sepé

Modelo de produção da Fazenda Pulquéria, importante fornecedora da Minerva no Rio Grande do Sul, privilegia bem-estar dos animais e rende bons preços

Economia

Ministério da Fazenda suspende financiamentos do Plano Safra 2024/25

Secretaria do Tesouro enviou ofício às instituições financeiras determinando a suspensão de novas contratações de crédito rural subvencionado

Produção

IBGE confirma abate recorde de 16,9 milhões de fêmeas em 2024

Volume histórico representou 43% de todo abate da pecuária bovina no ano passado e um crescimento de 19% em comparação aos dados de 2023