Raízen decide paralisar Usina Santa Elisa, em Sertãozinho (SP)

Com isso, grupo assinou contratos para vender até 3,6 milhões de toneladas de cana, por R$ 1,045 bilhão
Fernando Lopes

A Raízen S.A. (joint venture entre Cosan e Shell) e sua controlada Raízen Energia, cujo foco está na produção de açúcar, etanol e bioenergia, informaram que decidiram descontinuar as operações da Usina Santa Elisa, localizada no município de Sertãozinho (SP), por tempo indeterminado. Com isso, a Raízen Energia já assinou contratos para a venda de até 3,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar (própria e de terceiros), por R$ 1,045 bilhão.

A medida faz parte dos planos do grupo de reduzir o endividamento e gerar mais valor aos acionistas. A estratégia inclui reciclagem do portfólio de ativos, simplificação das operações, redução de despesas e racionalização de investimentos. A Raízen encerrou o exercício 2024/25, em março, com dívida líquida de R$ 34,3 bilhões, 79% maior que no fim do ciclo 2023/24, e alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) de 3,2 vezes.

Segundo a Raízen, o múltiplo implícito da operação anunciada nesta terça-feira, que não envolve ativos industriais, corresponde a US$ 53 por tonelada de cana. A matéria-prima foi negociada com Usina Alta Mogiana, Usina Bazan, Usina Batatais, São Martinho, Pitangueiras e Viralcool. A conclusão da transação depende de autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Com o mesmo objetivo de reduzir o endividamento, a Raízen já havia anunciado a venda da Usina e Leme, situada em Piracicaba (SP), por R$ 425 milhões. Ainda como parte dos planos do grupo, a subsidiária Raízen Fuels Finance também precificou a emissão de US$ 750 milhões em notes, enquanto Raízen S.A. e Raízen Energia assinaram um “Protocolo e Justificação de Cisão Parcial da Raízen S.A. com versão do Acervo Líquido Cindido para Raízen Energia”, com o objetivo de otimizar estruturas de capital e gestão e concentrar a participação societária detida pelo grupo em sociedades no exterior.

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